"Produto do meio?" Sim ou não, acredito no poder da influência, no poder daquele que ensina; daquele que conduz a "criança pelo caminho que deve andar". Creio no poder do exemplo e da expressão sem palavras; creio que não é necessário o muito falar, mas a aplicação daquilo que se aprende, mesmo que pouco e raso; o Observador pode extrair o conhecimento mesmo sem fazer anotações em papel com tinta. Foram assim meus primeiros anos; enquanto crescia na casa de minha mãe, não havia muitas palavras, não havia surras, não havia represálias. De uma pessoa serena e tranquila não se espera grandes discursos, mas desta pessoa em especial elas fluíram como os rios, não em bela oratória e sim em sua própria vida, estampada no corpo como tatoo; mas diferente da tatoo que desvanece com a idade, e perde sua perfeição de traços com o enrugar da pele e com a chegada dos anos, o exemplo de minha mãe, com o passar do tempo, se torna mais definido, com o passar dos calendários, se torna mais profundo. Mulher como muitas por aí: simples, de baixa estatura e como todo mineiro, de fala mansa e pausada; mulher como há muitas, guerreira, criou seus três rebentos sem a ajuda do progenitor, trabalhando de sol a sol. Quando criança eu não tive todos os brinquedos que queria ter, nem comi todos os chocolates que vi; não andei com roupas nobres, nem passei meus fins de semana em parques ou clubes, mas tive o que faz falta para muitas crianças em seus lares hoje: Um Exemplo Que Se Possa Tocar.
Como muitos, eu não tive pai ou alguém que me ensinasse a dirigir, mas possui um farol que mesmo mudo, me ditava o caminho. Eis-me aqui homem formado, com caráter de homem, pois por meio do ensino de uma mulher me tornei homem.
Não sei se posso dizer que sou simples produto do meio, contudo posso dizer que o que sou hoje é a consequencia das marcas que em mim deixaram. Minha mãe me marcou e continua me marcando com seus exemplos mudos...
