terça-feira, 10 de maio de 2011

Minha Dama


Como compreender? Como discernir tamanho cativeiro? Como encontrar a resposta para tamanha rede que se pôs em baixo de meus pés? Fui cativo, mas desta servidão gozo em estar... Sou prisioneiro, mas desses grilhões não busco me soltar. Para o Quilombo não quero fugir...

Em semelhança ao rei de Sião, estou preso por suas tranças; como o governante de Jebus, fui roubado por um dos teus olhares...

Mesmo com a força de um guerreiro quilombola não pude me suster... mesmo me rastejando pelo meio do mato ralo, dos teus olhares não pude me esconder... Nem a bebida de Jurema, poderia me despertar da minha letargia, pois embriagado fui com a bebida dos teus lábios e da tua companhia é que eu estou cativo...

É mulher! Na tua delicadeza venceste o guerreiro bruto. Com teu sorriso destronaste da sua própria soberania o Guerreiro de Quilombo. Com seu toque deixaste prostrado aquele ereto e bem armado que era sentinela de seu próprio coração. Com sua fala doce destruiu a face sisuda daquele que estava preso aos próprios pensamentos.

Ei mulher, como o cativeiro que fui preso e a maneira como se sucedeu, tu és também um mistério; pois se descai o teu semblante, o mesmo sucede aquele que te ama... se lhe nega um dos teus sorrisos, seu peito se inflama...

Se lhe finge indiferença, o lança na lama...

Ei Quilombola! Põe-te a lutar, a terra do teu coração tu deves reconquistar! Este guerreiro aqui, contra isso não quer lutar, as suas armas ele largou, sua espada na bainha já depositou, o que quer é deitar e descansar à sombra deste amor...

 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Humanos


Seres humanos, detentores de vasto conhecimento, caminhantes ávidos por novas conquistas. Sim, todos nós temos intrínseco em nossa essência o desejo dos Cavaleiros Cruzados ou dos Bandeirantes, possuirmos mais, conquistarmos mais! Sermos vistos, apreciados como heróis... Mas como nós somos símplices, como somos fracos em nossas convicções; somos tão fracos em nossas certezas que precisamos nos reafirmar a cada dia; nós nos explodimos pelo que cremos, agredimos nossos iguais pela nossa própria sanidade, saímos pelas ruas carregando bandeiras coloridas e de paz e amor, quando nem mesmo aceitamos como suma verdade o que afirmamos ser.

Caminhamos em meio a nevoeiros; como a raça mais “evoluída” de todas as animálias do mundo, não temos as respostas necessárias. Se nós inventamos lendas e tradições religiosas, também com a mesma ciência criamos teorias para negar aquilo que primeiro cremos ser a mais pura verdade...

O quê nós buscamos neste mundo, e por qual caminho ainda caminharemos? Ao olharmos o que nossos semelhantes estão fazendo no mundo, ficamos aterrados pela maldade que a “coroa da criação” pode fazer, e maravilhados com aquilo que o “símio evoluído” pode criar. Mas não podemos dar as respostas necessárias. Qual é o lugar que queremos chegar? O quê nós desejamos para o futuro de nossa espécie?

Não sabemos! Se ao menos soubéssemos onde queremos chegar, ficaria bem mais fácil, pois somente digitaríamos o endereço no GPS e ele nos conduziria sem maiores complicações...